O que as empresas poderiam aprender com os reality shows?

O que as empresas poderiam aprender com os reality shows?

Você pode até não ser fã de reality shows, mas é difícil ignorá-los. Programas como Big Brother, MasterChef e The Voice reúnem multidões de espectadores, criam verdadeiras febres nas redes sociais e transformam participantes comuns em astros.

Mas o que há nesses formatos que os tornam tão irresistíveis? A resposta está em um casamento estratégico entre narrativa, emoção e interação com o público. E, por mais improvável que possa parecer, aqui reside uma valiosa lição para as empresas.

Não, sua marca não precisa de um confessionário, mas ela pode – e deve – aproveitar elementos usados nesses programas para capturar, engajar e fidelizar seus públicos.

Histórias que movem as pessoas

Nos reality shows, não é o que acontece, mas como acontece, que realmente importa. Cada episódio é cuidadosamente montado para criar arcos narrativos: o vilão que desperta raiva, o herói que luta para superar os obstáculos, as alianças, os conflitos e os momentos de vitória. Esses programas estruturam histórias tão poderosas que, mesmo sendo “roteiros da vida real”, parecem filmes ou novelas. Essa habilidade de transformar o ordinário em extraordinário é crucial na comunicação de marcas.

Empresas podem adotar a mesma abordagem ao se comunicar com seus públicos, buscando formas de transformar eventos cotidianos em narrativas atraentes. Um produto novo não deve apenas ser “lançado”; ele deveria ter um porquê, deveria resolver um problema, melhorar vidas ou até simbolizar conquistas. A narrativa emocional cria identificação e torna a mensagem memorável.

Pense na Apple: cada evento de lançamento de um iPhone não é um simples discurso sobre funcionalidades, mas uma celebração repleta de emoção e histórias que mostram como o novo aparelho redefine o cotidiano.

Para marcas, o desafio não é apenas transmitir informações, mas emocionar, contar algo que faça o público torcer por você, se envolver ou se enxergar na sua história. Isso cria laços mais profundos e transforma consumidores passivos em embaixadores da marca.

Emoção e protagonismo do público

O segredo por trás de muitos reality shows está no apelo emocional. Eles fazem o público rir, chorar, se irritar e vibrar pela superação de seus participantes. Mais do que isso: o espectador se sente parte do processo. No momento em que uma mensagem toca emocionalmente, ela é internalizada de uma forma muito mais poderosa. A lógica pode convencer, mas a emoção conquista.

Marcas que se comunicam apenas com dados e características técnicas perdem uma oportunidade crucial de conexão. É a emoção que humaniza e fideliza. Não à toa, campanhas exemplares como “Real Beleza”, da Dove, foram bem-sucedidas ao apresentar histórias reais e imperfeitas que mostravam mulheres comuns se redescobrindo bonitas. O impacto disso transcendeu o produto e transformou a campanha num movimento.

Outro grande aprendizado é que as pessoas gostam de se sentir ouvidas e vistas. Nos reality shows, o público muitas vezes participa diretamente, seja votando no Big Brother, seja interagindo nas redes sociais com os hashtags oficiais. Essa sensação de pertencimento é fundamental e cria uma relação de proximidade com o programa.

As empresas podem aplicar isso ao buscar o apoio e a coautoria de seus públicos. Por exemplo, a LEGO convida consumidores para enviar ideias de novos produtos que depois são desenvolvidos e comercializados globalmente, mencionando os criadores. Da mesma forma, marcas como Starbucks e Netflix já dedicaram campanhas inteiras a sugestões vindas de fãs e seguidores, transformando os clientes em protagonistas.

Tensão e celebração: O equilíbrio que mantém o interesse

Se há algo que reality shows sabem fazer bem é criar e gerir a tensão. Os conflitos – sejam eles triviais ou épicos – são parte central do que mantém o público assistindo. A vontade de saber o que acontecerá a seguir, quem será eliminado, quem vai avançar, é o que cria a chamada urgência emocional. No entanto, saber onde traçar a linha entre o uso saudável da tensão e um conflito que pode gerar crises é importante na comunicação corporativa.

Para as marcas, isso significa criar conversas que provoquem reflexão ou incentivem soluções criativas, mas sempre de maneira cuidadosa para preservar a reputação da empresa. Pense em campanhas que desafiam tabus ou causam debates sociais relevantes – como a Ben & Jerry’s, que aborda temas como diversidade e justiça social enquanto fortalece o vínculo com consumidores que compartilham os mesmos valores.

Assim como a tensão mantém o público envolvido, as celebrações criam recompensas emocionais. Quando assistimos ao vencedor do reality show recebendo o prêmio ou superando um obstáculo, sentimos uma descarga emocional positiva. Empresas também podem celebrar conquistas – seja a vitória de um cliente usando o produto para resolver um problema, uma meta social alcançada ou uma parceria bem-sucedida. No entanto, marcas precisam evitar transformar essas ocasiões em pura autopromoção. A genuinidade é a chave para criar impacto.

Transformando espectadores em fãs leais

Reality shows não são apenas entretenimento; eles são uma aula de como cativar audiências, criar histórias poderosas e manter o interesse ao longo do tempo. Suas lições principais – narrativa, emoção, envolvimento e celebração – são também ferramentas poderosas para as empresas que desejam sair do mesmo e criar conexões mais profundas e duradouras com seus públicos.

Se sua marca fosse um reality show, as pessoas estariam ligadas na história, torcendo pelos seus sucessos e participando ativamente na sua construção? Ou será que faltam emoção, autenticidade ou um motivo de engajamento? No fim do dia, o público não quer apenas uma marca para consumir: ele quer uma história que valha a pena seguir.